terça-feira, 31 de agosto de 2010

sábado, 28 de agosto de 2010

Rotina







Muita gente gosta de dormir até mais tarde. Essas pessoas não sabem o que estão perdendo, principalmente quando Deus nos presenteia com manhãs como essas de agosto, no Rio de Janeiro. Estava indo para o trabalho, mas não pude deixar de usar a câmera do celular para registrar tamanha beleza.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Quem Vai Pagar a Conta?



Será que o futuro trará soluções para o mal que estamos fazendo hoje ao planeta? Há uma corrente de pensamento que acha que nossos filhos e netos vão “dar o jeito deles”, encontrando maneiras de sobreviver em meio ao caos ambiental herdado de seus ascendentes irresponsáveis.

Essa tese se baseia no avanço tecnológico fortemente direcionado para o desenvolvimento de soluções que tragam cada vez mais bem-estar ao homem. O problema é que muitas vezes os efeitos colaterais dessas novas tecnologias são extremamente nocivos, comprometendo o futuro que elas se propõem a oferecer.

Nossos “brinquedinhos eletrônicos” duram seis meses, no máximo um ano, e são descartados. Geralmente são enterrados na lixeira mais próxima, sem choro nem vela e sem nenhuma proteção. Isto quando não são “desovados” em plena rua, numa indigência de dar dó. Só agora se começou a pensar em programas de descarte de lixo eletrônico, com a obrigatoriedade de devolução daquilo que não se usa mais ao fabricante, para reciclagem.

Reciclar é a saída. Aqui no Brasil reciclamos alguma coisa (pouca ainda), por conta da necessidade dos catadores, que viram na atividade uma fonte de renda. Mais do que pelo aspecto financeiro, o reaproveitamento deve ser uma filosofia de vida. Essa atitude de não preservar agora para ver o que acontece depois vai se transformar em uma conta muito alta, que será paga pelos nossos filhos e netos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Anticampanha






Não vote em Armando Falcatrua
Se ele ganhar, a culpa é sua
Lugar de corrupto é no olho da rua
Não viva no mundo da lua. 

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Velhos tempos diante da TV



Postei este vídeo no YouTube há alguns anos, como mensagem de final de ano. Não esperava que algumas imagens de tempos de infância diante da TV fossem emocionar tanta gente. Talvez, tenho quase certeza, não tenham sido as imagens, mas os bons tempos que elas testemunharam, que não voltam mais. 

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Nova Reforma?



Há alguns dias, a revista Época trouxe como matéria de capa uma reportagem intitulada A Nova Reforma Protestante. Segundo a visão do articulista, seria um movimento inspirado no cristianismo primitivo, através do qual um grupo de evangélicos estaria tentando recriar o Protestantismo, indo de encontro ao movimento neopentecostal, predominante por aqui.

Todos nós conhecemos a história da Reforma do século XVI e os fatos que a desencadearam, quando alguns homens corajosos arriscaram a própria vida ao se voltarem contra os absurdos praticados pelo clero, em nome de Deus. O filme Lutero recria muito bem a situação caótica da igreja naquela época. Vemos hoje a mesma história se repetindo, com nova roupagem: a teologia da prosperidade prometendo o paraíso aqui, a variedade de unções, os rituais animistas, a idolatria das terras bíblicas e outras bizarrices. Diante do atual estado de coisas, devemos admitir que algo deve ser feito. Mas, o que fazer?

Lutero tentou reformar a igreja. Não conseguiu. Penso que os novos luteros de hoje, as pessoas que preservam o genuíno evangelho também não conseguirão reformar esta igreja que está aí na mídia. Digo isto porque tenho certeza de que esta igreja que vende curas físicas e prosperidade financeira não é a Igreja de Cristo, não é a Igreja do Reino, mas uma instituição que pertence ao apóstolo tal, ao bispo tal ou ao patriarca tal. Uma empresa religiosa, e, como tal, comprometida com o bom desempenho e com o lucro. Esta igreja já tem seu destino traçado. Sua recompensa está aqui mesmo na terra.

A Igreja do Reino é invisível, mas a maioria de seus membros vive em instituições religiosas. E é bom que seja assim. É bom que irmãos com o mesmo objetivo vivam congregados. Há comunhão, troca de experiências, adoração comunitária, consolo mútuo e parceria na difusão do evangelho. Deus chama súditos para o seu Reino e os coloca em várias formas de instituições religiosas (que chamamos de igrejas), com vários tipos de governo, alguns até diferentes daquilo que estamos acostumados a ver. Jesus disse que se duas ou três pessoas se reunissem em seu nome (não importa como) ali ele estaria, ali estaria uma parte da igreja que ele fundou, a Igreja do Reino. Uma Igreja do Reino não representa um fim em si mesma, mas se reúne em nome de Jesus.

Há um equívoco na matéria da Época quando fala em recriação do Protestantismo. Na verdade, vemos alguns cristãos que não aderiram a esse falso evangelho — seres humanos normais, com suas imperfeições e contradições — levantando uma bandeira comum contra o caos religioso no qual está mergulhado o nosso país. Mas o verdadeiro evangelho nunca saiu de cena. Este Evangelho do Reino — que já morou nas catacumbas de Roma e sobrevive a duras penas no seio da igreja perseguida nos países muçulmanos e comunistas — vive e sempre viverá em algumas igrejas bem organizadas, históricas ou pentecostais, em algumas comunidades e também entre grupos de estudos bíblicos como o daquele cirurgião geral que abre a polêmica matéria da revista Época.

sábado, 21 de agosto de 2010

Guerra






Hoje vimos uma corrida diferente na zona sul do Rio. Uma pessoa morta, algumas feridas e muita gente assustada. Bandidos correndo e se concentrando em um hotel.

Amanhã muita gente saudável e alegre vai correr a partir dali, do campo de guerra de hoje, para conquistar a meia maratona. Amanhã vai ser outro dia.

Não vão correr das balas perdidas, assim todos esperam.





Existem lugares cuja lembrança é mais do que uma constatação de que existem momentos felizes. A Ilha Grande foi o cenário de um deles. Esta foto escaneada é de 1999, século passado.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010




A imagem sugere uma cena apocalíptica. Mas é apenas a Pedra da Gávea sob uma grande nuvem, vista da janela de minha sala, no trabalho (imagem captada com telefone celular).

Amigos e Amigos



Não há quem não tenha pelo menos um amigo. Por mais chata que seja, uma pessoa sempre vai encontrar alguém que a ame, e de graça. Como dizem, sempre existe um chinelo velho para um pé doente calçar. Mesmo a alma mais perversa deste mundo terá por perto algum otimista acreditando que ela possa ser um indivíduo um pouquinho melhor. Não me refiro exatamente aos aproveitadores, que estão atrás de alguma coisa interessante que o “amigo” possa oferecer, como dinheiro ou poder. Estes, como sabemos, somem na primeira curva malfeita, ao primeiro sinal de que aquilo que realmente buscam na pessoa “amada” não se encontra mais disponível.

Nossos amigos verdadeiros nos são muito caros. Na medida do possível, sempre procuramos estar junto deles, e vice-versa, para um bom papo — mesmo que seja virtual — ou até para discutir ou brigar um pouco, quando a amizade é madura o suficiente para subsistir acima das discordâncias. Esses são aqueles amigos da “canção que na América ouvi”, parceiros em todos os momentos. Enfim, “coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito”, como canta o Milton.

Voltando àqueles amigos com aspas, um fato curioso é que alguns deles cultivam um tipo de amizade muito estranha, que se manifesta apenas de quatro em quatro anos. Em épocas como estas eles chegam efusivos, alegres, mas sem muitas novidades. Estavam tão longe, em lugares tão diferentes, mas quase sempre voltam sem nada de novo para nos contar. Mas a culpa também é nossa. Não procuramos saber o que eles fizeram no longo tempo de recolhimento que se passou. Ficamos receosos, com medo de incomodar. Eles, percebendo o incômodo, se adiantam e se justificam dizendo que estavam muito ocupados, sem tempo de bater um papo, de dar um alô ou de mandar um e-mail. Assim, nunca sabemos o que eles fizeram durante o longo período de ausência. Por outro lado, eles também não procuram saber o que pensamos em todo esse tempo e o quanto necessitamos deles.

E assim a vida vai passando, como as águas de um rio de janeiro, e chega o momento da festa. Depois, é hora de o amigo limpar a sala, dividir o que restou do bolo e avisar que “já está chegando a hora de ir”. Mas fica a promessa: “Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar” — exatamente daqui a quatro anos.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Comida Lixo





Fast-food certamente não é saudável... mas é bom. Pelo menos muita gente gosta, ou ninguém mais abriria uma franquia do McDonald's. Se você tem pressa, nada mais rápido que um “trocinho-feliz” com refrigerante e batata frita. É fast. Não sei bem se é food.


A maioria das denominações neopentecostais descobriu um negócio da China (ou dos Estados Unidos). Comida rápida e cara para clientes pouco exigentes, mas apressados. O céu... que coisa distante... Eu tenho que esperar morrer para ir para lá? Ah não! Eu quero o céu agora!... “Nós temos!” Foi a resposta do neopentecostalismo à insaciável carnalidade humana. Como toda comida de fast-food, a palavra pregada nos púlpitos dessa teologia barata e demoníaca também é preparada a toque de caixa, os cozinheiros são inexperientes e a higiene é suspeita. Tudo já é pré-cortado, pré-embalado, pré-cozido, pré-mastigado, regurgitado e cuspido. A mesma comida precisa alimentar crianças e adultos.

Do outro lado do balcão não está um público qualquer. Esse cliente não deseja saborear um prato, deseja tão somente devorar qualquer coisa que lhe dê alguma satisfação... quando ela acabar, basta voltar ao balcão. Esse fast-food espiritual (ou espírita) também utiliza as mesmas técnicas de marketing das grandes redes de junk food. Todo dia tem uma McOferta. Um dia é o relacionamento, outro dia é o emprego, outro dia é a doença, outro dia é o encosto... basta você chegar no balcão e pedir pelo número.

Obviamente tudo isso tem um custo. Diga-se de passagem, alto. Servir em tempo recorde e ainda convencer o cliente a voltar, mesmo depois de servir aquele lixo, exige muito investimento e, portanto, cobra-se caro por este serviço. Ali dá-se a vida, antes fosse só o dinheiro. Certamente o que mais causa repugnância nessa cozinha do satã é a manipulação do ser humano. No entanto, estes seres nada mais fazem que responder a sua própria natureza. Homens se alimentando dessa comida nada mais é que a ira de Deus sendo derramada sobre eles.

Não tenho compaixão dos que se perdem porque esvaziam suas carteiras esperando que elas magicamente sejam novamente reabastecidas, mas porque caminham para o inferno. Essa comida é cara e insuficiente, mas atende o desejo do homem. Então é vendável.

Autor desconhecido

Ontem e Hoje



“Beijei aquela árvore tão linda, onde eu, com o meu canivete um coração eu desenhei.” São versos de uma musiquinha meio brega, cantada pelo Ronnie Von, acho que na década de 60 ou 70, que hoje faz parte da galeria de clássicos da MPB — talvez mais pelo fato de ser antiga do que pela qualidade artística. Outro dia, em uma rádio que toca boas coisas do passado, ela estava lá, em meio a cartolas e violas enluaradas. E esses versinhos despertaram a minha atenção. Como o cara teve coragem de desenhar um coração em uma árvore tão linda? E depois, como se não tivesse feito nada, ainda a beijou.

Esse mundo é mesmo uma bola que gira, além das árvores que caem e das pedras que rolam. Coisas no mínimo politicamente incorretas nos dias de hoje, há 40 ou 50 anos eram absolutamente naturais. Atores e atrizes de Hollywood fumavam seus cigarros sem pudor nas telas grandes dos cinemas. As atrizes, em particular, pareciam mais charmosas em meio à fumaça branca, a mesma hoje proscrita nos mais variados recintos, como causadora de doenças graves.

Derrubar árvores sem controle hoje é crime ambiental. E é bom que seja assim. Mas desenhar corações nas pobrezinhas com um canivete fica parecendo tortura.

Como as coisas mudam. Naquele tempo era tão natural...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Vender ou Doar?




Um dos efeitos colaterais da profusão tecnológica na qual estamos inseridos neste início de século é o acúmulo cada vez maior do chamado lixo eletrônico. A maioria de nós tem em casa — ocupando os espaços cada vez mais exíguos dos minúsculos apartamentos vendidos hoje em dia — celulares fora de uso, aparelhos de som com pequenos defeitos, mas ainda funcionando, e inúmeros acessórios de informática, que de seis em seis meses ficam obsoletos. Os japoneses, os sul-coreanos e outros povos, digamos assim, mais civilizados contam com programas de reciclagem que possibilitam o descarte daquilo que já não atende aos seus anseios de consumo. Por aqui, começamos a trilhar esse caminho, mas, como a questão tem implicações culturais, vai levar algum tempo até que cheguemos ao nível dos países mais desenvolvidos.

Vender ou dar? Algumas vezes esse dilema vem à tona. Aquele PC comprado há três anos, que para alguns custou uma grana preta, agora não vale nada em termos financeiros. Está completamente obsoleto, anos-luz atrás dos notebooks da geração mais recente (esperamos que não seja a última). Mas o valor de uso é sempre maior do que o valor monetário, sem falar na questão afetiva. E o que dizer das velhas máquinas de escrever? Não servem para nada quando não estão expostas em museus, visitados por crianças curiosas em saber como funcionava aquele objeto estranho. Mas para um velho escritor, já na casa dos 80, aquela Remington com o teclado gasto com as marcas dos seus dedos tem um valor afetivo incomensurável. Ele não a vende por dinheiro algum.



E o que os computadores e a velha Remington têm a ver com o voto? Nada e tudo. O voto é um velho instrumento da democracia. Nivela todos os cidadãos, ricos e pobres, das comunidades e do asfalto, do campo e das cidades. Todos têm o mesmo peso, o mesmo valor diante da urna eletrônica. Por isso ele é muito valioso, é muito caro para ser trocado por um maço de notas de real ou por um emprego. Seu valor de uso sempre será maior do que qualquer dinheiro ou outra vantagem pessoal.

Não venda seu voto. Parece um paradoxo, mas ele é muito valioso para ser vendido.



quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Fome de Notícia


Neste mundo globalizado e repleto de tecnologias de ponta a serviço da comunicação, não há viva alma que não se alimente de notícias todas as manhãs, juntamente com o café da manhã. Leite com crimes, pão com previsão do tempo, manteiga com mentiras de políticos, e por aí vai. Até mesmo antes de os raios de sol iluminarem a cidade, já estamos famintos e sedentos por informação. Conectamos o PC, ligamos o radinho de pilha ou damos uma olhadela no jornal que ainda está sendo encartado na banca, por um jornaleiro apressado.

Quase sempre o mesmo de sempre. Crimes, roubos (com e sem colarinho branco), promessas, futilidades, bizarrices e sandices. A previsão do tempo determina o que vamos vestir. O helicóptero da rádio indica o caminho que vamos seguir (quem anda de ônibus não tem muita alternativa). O horóscopo (ainda tem gente que acredita) determina o que alguns vão fazer.

Agora o jornal está sobre a mesa, ao lado da xícara de café e das bolachas. A notícia da vez, o grande escândalo, o crime bárbaro são os ingredientes que mais se destacam em nosso desjejum de informações. Que coisa! Os acusados do crime ainda sem corpo estão presos, e os acusados do crime cujo corpo já foi encontrado estão soltos. Pode? Pode. Curiosidades de nossa justiça. Após a rápida observação, surgem no canto esquerdo — mais ou menos no lugar de algum crime ou escândalo que não aconteceu — algumas fotos da bela tarde do dia anterior. A beleza do sol se pondo sobre a cidade chama a atenção. Mas vem a noite, e o parque gráfico do jornal já se apronta para rodar a edição do dia seguinte, recheada de mais crimes e escândalos.

É a fila andando.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Bem-vindo à Classe Média




Milhares de pessoas conseguiram romper a linha de pobreza e entraram no paraíso. Enfim, a classe média. O governo alardeia o grande feito aos quatro cantos. Esses ex-miseráveis já comem carne todos os dias há alguns anos. Não necessariamente carne de primeira em todas as refeições, mas carne é sempre carne — frango é coisa de um passado distante. Há muito tempo o iogurte virou figurinha fácil nas geladeiras das “comunidades”, cujas casas de tijolos aparentes por fora estão bem pintadas por dentro e recheadas de tevês de LCD, DVDs piratas e outros acessórios de última geração, sem falar nos não raros miaus da “netgato”. A novidade é o computador comprado a prestação nas Casas Bahia e a internet banda larga, compartilhada com os vizinhos.


Pois bem. O garoto, meio abusado, fruto dessa nova classe média, encara o presidente e o governador sem medo de ser feliz. Quer jogar tênis. O presidente diz que tênis é um esporte de burgueses e sugere que ele faça natação. “Mas a piscina fica fechada nos fins de semana”, retruca o garoto abusado, que também se incomoda com o barulho que o “caveirão” faz ao passar em sua porta. Também por isso ele estava ali, incomodando o presidente e o governador, que perdeu a paciência e o chamou de otário e mandou que ele fosse estudar. O moleque estava enchendo o saco. Logo do presidente e do governador. Pode?


Bem-vindo à classe média. O moleque chato que estava enchendo o saco do presidente e do governador estava consciente de que tinha mudado de status social, mas não foi bem recebido pelos seus novos companheiros. Queria jogar tênis, mas este é um esporte “de burgês”. Imagine se ele quisesse jogar golfe. Restaram-lhe os 15 minutos de fama do You Tube ou, quem sabe, uma entrevista para o Fantástico.

Time e Castigo






Dizem os jornais que os jogadores da seleção da Coreia do Norte foram severamente punidos por conta do pífio desempenho na copa da África do Sul. Segundo informações não confirmadas, passadas por sites asiáticos, a delegação que participou do Mundial, com exceção de dois jogadores que atuam fora do país, foi obrigada a ficar de pé durante seis horas, ouvindo duras críticas das autoridades locais. Dizem que o pobre do técnico, além de perder o emprego, foi obrigado a mudar de atividade: agora trabalha como operário na construção civil. Até onde e se isso é verdade ninguém sabe, já que é difícil obter alguma informação sobre o que se passa naquele país, que mais parece um presídio de segurança máxima. A FIFA está investigando o caso que, se confirmado, talvez seja motivo de alguma punição.


Fico a pensar como deve ser a vida em um país-prisão como a Coreia do Norte. Monótona, chata, ou alegre e esperançosa, em busca do “ideal socialista”? Aquela senhora de terninho amarelo que lê friamente os comunicados oficiais do governo, emoldurada por uma fotografia, não nos dá nenhuma pista. Muito menos os “soldadinhos de chumbo”, que se exibem garbosamente em suas marchas de incrível sincronismo. Bem menos ainda o ditador impassível, em suas raras aparições diante de platéias assepticamente domesticadas. Quando a TV mostrar (quando?) homens e mulheres do povo em seu cotidiano, fora das cerimônias oficiais, andando na rua, pegando ônibus e discutindo futebol, aí sim, teremos alguma pista de como deve ser a vida na parte norte daquela península.


Resta torcer para que a punição, se realmente aconteceu, tenha se restringido às seis horas ouvindo duras críticas, o que já é um absurdo. Imaginem o técnico, em vez de gritar com os jogadores, tendo agora que berrar pedindo mais massa ou que mandem mais tijolos. Em todo caso, talvez não tenha sido tão ruim assim, se pensarmos no volume de reclamações que o nosso técnico e os nossos jogadores da era pré-mano ouviram, dentre outros motivos, pela magra vitória sobre os norte-coreanos — sem falar no gol que levamos daquela fraca seleção.