quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Fome de Notícia


Neste mundo globalizado e repleto de tecnologias de ponta a serviço da comunicação, não há viva alma que não se alimente de notícias todas as manhãs, juntamente com o café da manhã. Leite com crimes, pão com previsão do tempo, manteiga com mentiras de políticos, e por aí vai. Até mesmo antes de os raios de sol iluminarem a cidade, já estamos famintos e sedentos por informação. Conectamos o PC, ligamos o radinho de pilha ou damos uma olhadela no jornal que ainda está sendo encartado na banca, por um jornaleiro apressado.

Quase sempre o mesmo de sempre. Crimes, roubos (com e sem colarinho branco), promessas, futilidades, bizarrices e sandices. A previsão do tempo determina o que vamos vestir. O helicóptero da rádio indica o caminho que vamos seguir (quem anda de ônibus não tem muita alternativa). O horóscopo (ainda tem gente que acredita) determina o que alguns vão fazer.

Agora o jornal está sobre a mesa, ao lado da xícara de café e das bolachas. A notícia da vez, o grande escândalo, o crime bárbaro são os ingredientes que mais se destacam em nosso desjejum de informações. Que coisa! Os acusados do crime ainda sem corpo estão presos, e os acusados do crime cujo corpo já foi encontrado estão soltos. Pode? Pode. Curiosidades de nossa justiça. Após a rápida observação, surgem no canto esquerdo — mais ou menos no lugar de algum crime ou escândalo que não aconteceu — algumas fotos da bela tarde do dia anterior. A beleza do sol se pondo sobre a cidade chama a atenção. Mas vem a noite, e o parque gráfico do jornal já se apronta para rodar a edição do dia seguinte, recheada de mais crimes e escândalos.

É a fila andando.

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