Milhares de pessoas conseguiram romper a linha de pobreza e entraram no paraíso. Enfim, a classe média. O governo alardeia o grande feito aos quatro cantos. Esses ex-miseráveis já comem carne todos os dias há alguns anos. Não necessariamente carne de primeira em todas as refeições, mas carne é sempre carne — frango é coisa de um passado distante. Há muito tempo o iogurte virou figurinha fácil nas geladeiras das “comunidades”, cujas casas de tijolos aparentes por fora estão bem pintadas por dentro e recheadas de tevês de LCD, DVDs piratas e outros acessórios de última geração, sem falar nos não raros miaus da “netgato”. A novidade é o computador comprado a prestação nas Casas Bahia e a internet banda larga, compartilhada com os vizinhos.
Pois bem. O garoto, meio abusado, fruto dessa nova classe média, encara o presidente e o governador sem medo de ser feliz. Quer jogar tênis. O presidente diz que tênis é um esporte de burgueses e sugere que ele faça natação. “Mas a piscina fica fechada nos fins de semana”, retruca o garoto abusado, que também se incomoda com o barulho que o “caveirão” faz ao passar em sua porta. Também por isso ele estava ali, incomodando o presidente e o governador, que perdeu a paciência e o chamou de otário e mandou que ele fosse estudar. O moleque estava enchendo o saco. Logo do presidente e do governador. Pode?
Bem-vindo à classe média. O moleque chato que estava enchendo o saco do presidente e do governador estava consciente de que tinha mudado de status social, mas não foi bem recebido pelos seus novos companheiros. Queria jogar tênis, mas este é um esporte “de burgês”. Imagine se ele quisesse jogar golfe. Restaram-lhe os 15 minutos de fama do You Tube ou, quem sabe, uma entrevista para o Fantástico.

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