Dizem os jornais que os jogadores da seleção da Coreia do Norte foram severamente punidos por conta do pífio desempenho na copa da África do Sul. Segundo informações não confirmadas, passadas por sites asiáticos, a delegação que participou do Mundial, com exceção de dois jogadores que atuam fora do país, foi obrigada a ficar de pé durante seis horas, ouvindo duras críticas das autoridades locais. Dizem que o pobre do técnico, além de perder o emprego, foi obrigado a mudar de atividade: agora trabalha como operário na construção civil. Até onde e se isso é verdade ninguém sabe, já que é difícil obter alguma informação sobre o que se passa naquele país, que mais parece um presídio de segurança máxima. A FIFA está investigando o caso que, se confirmado, talvez seja motivo de alguma punição.
Fico a pensar como deve ser a vida em um país-prisão como a Coreia do Norte. Monótona, chata, ou alegre e esperançosa, em busca do “ideal socialista”? Aquela senhora de terninho amarelo que lê friamente os comunicados oficiais do governo, emoldurada por uma fotografia, não nos dá nenhuma pista. Muito menos os “soldadinhos de chumbo”, que se exibem garbosamente em suas marchas de incrível sincronismo. Bem menos ainda o ditador impassível, em suas raras aparições diante de platéias assepticamente domesticadas. Quando a TV mostrar (quando?) homens e mulheres do povo em seu cotidiano, fora das cerimônias oficiais, andando na rua, pegando ônibus e discutindo futebol, aí sim, teremos alguma pista de como deve ser a vida na parte norte daquela península.
Resta torcer para que a punição, se realmente aconteceu, tenha se restringido às seis horas ouvindo duras críticas, o que já é um absurdo. Imaginem o técnico, em vez de gritar com os jogadores, tendo agora que berrar pedindo mais massa ou que mandem mais tijolos. Em todo caso, talvez não tenha sido tão ruim assim, se pensarmos no volume de reclamações que o nosso técnico e os nossos jogadores da era pré-mano ouviram, dentre outros motivos, pela magra vitória sobre os norte-coreanos — sem falar no gol que levamos daquela fraca seleção.

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