Não há quem não tenha pelo menos um amigo. Por mais chata que seja, uma pessoa sempre vai encontrar alguém que a ame, e de graça. Como dizem, sempre existe um chinelo velho para um pé doente calçar. Mesmo a alma mais perversa deste mundo terá por perto algum otimista acreditando que ela possa ser um indivíduo um pouquinho melhor. Não me refiro exatamente aos aproveitadores, que estão atrás de alguma coisa interessante que o “amigo” possa oferecer, como dinheiro ou poder. Estes, como sabemos, somem na primeira curva malfeita, ao primeiro sinal de que aquilo que realmente buscam na pessoa “amada” não se encontra mais disponível.
Nossos amigos verdadeiros nos são muito caros. Na medida do possível, sempre procuramos estar junto deles, e vice-versa, para um bom papo — mesmo que seja virtual — ou até para discutir ou brigar um pouco, quando a amizade é madura o suficiente para subsistir acima das discordâncias. Esses são aqueles amigos da “canção que na América ouvi”, parceiros em todos os momentos. Enfim, “coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito”, como canta o Milton.
Voltando àqueles amigos com aspas, um fato curioso é que alguns deles cultivam um tipo de amizade muito estranha, que se manifesta apenas de quatro em quatro anos. Em épocas como estas eles chegam efusivos, alegres, mas sem muitas novidades. Estavam tão longe, em lugares tão diferentes, mas quase sempre voltam sem nada de novo para nos contar. Mas a culpa também é nossa. Não procuramos saber o que eles fizeram no longo tempo de recolhimento que se passou. Ficamos receosos, com medo de incomodar. Eles, percebendo o incômodo, se adiantam e se justificam dizendo que estavam muito ocupados, sem tempo de bater um papo, de dar um alô ou de mandar um e-mail. Assim, nunca sabemos o que eles fizeram durante o longo período de ausência. Por outro lado, eles também não procuram saber o que pensamos em todo esse tempo e o quanto necessitamos deles.
E assim a vida vai passando, como as águas de um rio de janeiro, e chega o momento da festa. Depois, é hora de o amigo limpar a sala, dividir o que restou do bolo e avisar que “já está chegando a hora de ir”. Mas fica a promessa: “Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar” — exatamente daqui a quatro anos.

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