quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Escritos de Fim de Ano



Há uma curva na estrada
Um ponto de interrogação
Há um caminho coalhado
De restos de fim de estação
Há uma estrada que lembra
Um filme, uma lenda
Um conto, ficção
Onde as imagens, vagarosamente
Tentam esconder os detalhes
Da curva que cresce à frente
Como saber do futuro?
Melhor esperar, até que ele chegue

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Big Brother do Bem



Na “casa” improvisada de um só cômodo não havia luxo nem glamour. Mas não faltou uma câmera de TV. Trinta e três pessoas viveram lá, confinadas por mais de dois meses. Nos primeiros 17 dias reinava terrível escuridão, causada não só pelas profundezas das rochas, mas, principalmente, pela incerteza da possibilidade de se fazer notar, pela quase desesperança de poder se livrar da mais profunda cova.

Uma sonda — lançada talvez sem muita esperança, mas para provar que ela nunca morre — volta com a certeza da vida escrita em papel, onde se presumia que a morte já havia chegado. E a habilidade humana entrou em ação, até o mundo inteiro ver uma cápsula descendo e subindo por um poço minúsculo. Diante dos olhos de todo o planeta, um a um, os participantes vão deixando a “casa” para receber o prêmio da fama e da liberdade. Pedro Bial não estava lá para recebê-los.  

Desentendimentos, talvez. Mas, ao contrário da outra casa mais glamourosa e previsível, com certeza as eventuais brigas tinham como foco a vontade de sair, não de ficar. O maior prêmio, pelo qual todos lutavam com as forças que tinham, consistia em viver, respirar ar puro, reencontrar os familiares e continuar tocando a vida — que, diga-se de passagem, nunca mais será a mesma. Sem estrelismos vazios, os mais hábeis naturalmente se destacavam, utilizando suas habilidades em benefício do grupo, não "jogando" em proveito próprio. A decisão sobre a ordem de saída não dependeu de votação pública, mas obedeceu a um plano estratégico que tinha como meta o pleno sucesso da operação.

Esse final de Big Brother improvisado e inédito me deixou colado à TV, coisa que nunca aconteceu e nunca vai acontecer com o outro. Ele mostrou que no mundo ainda há coisas boas, que as habilidades humanas, dons de Deus, ainda podem ser usadas para o bem.

A violência da TV deu lugar a 33 finais felizes. E quem não gosta de ver um final feliz no lugar da violência?


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Meu Trabalho

Jogo Baixo

Estou vendo tanto jogo baixo que não dá para ficar quieto.

Todos sabemos que os dois candidatos têm mais ou menos a mesma opinião sobre essas questões, e que o Congresso é que tem a última decisão, podendo até derrubar um possível veto do presidente.

Portanto, deixemos de manipulações eleitoreiras e vamos discutir coisas mais importantes para o Brasil.

Dilma não, por quê?

Não sou petista, mas queria saber o por que dessa campanha contra a Dilma.

Acho que virou moda. Muita gente vai votar no Serra por opção, nada demais, mas outros ouviram o galo cantar não se sabe onde e viraram papagaios, repetindo o mesmo discurso "Dilma não".

Os profissionais que tratam de manipulação de massas devem uma explicação.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Onde Está a Iniquidade?

Nas ruas, nos gabinetes, nos templos?
Nas praças, nos palácios, nos conventos?
No Rio, em São Paulo, em Brasília?
Ou estaria isolada em uma deserta ilha?

A iniquidade está nos corações
daqueles que não amam o bem
Em qualquer lugar onde eles estiverem
Ali ela estará também

Pode estar ao nosso lado sem que percebamos
Disfarçada até de ares de religiosidade
Como é traiçoeira a iniquidade.

O Sucesso do Sobrenatural




Por que as produções espíritas fazem tanto sucesso nos dias de hoje? Filmes como "Nosso Lar", de Chico Xavier, a novela "Escrito nas Estrelas" e a minissérie "A Cura" estão alcançando altos níveis de audiência no cinema e na TV.


Essa era pós-moderna se caracteriza pela busca do sobrenatural, já que muitas pessoas não conseguem mais respostas para os seus anseios naquilo que sempre "creram". Busca-se algo que não se vê, alguma coisa que possa emocionar, enfim, aquilo que for diferente. A espiritualidade está em alta, e os produtores de cinema e TV perceberam isso. E transformaram essa fome pelo sobrenatural em lucro.


Sim, o dinheiro. É ele que move o mundo do entretenimento e o sistema mundo.


Por isso, não tem muito sentido justificar essa avalanche de produções voltadas para o espiritismo como uma reação às outras religiões.


Não. É isso que está dando dinheiro hoje, e é nisso que os produtores vão investir, quer gostemos ou não.


Até que os gostos ou as necessidades mudem.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010



Mais um escândalo político na praça. A mesma praça. Os mesmos personagens. Só mudam as cores partidárias.


Já estamos bem anestesiados, esperando que ele passe e venha o próximo escândalo, independente de que partido esteja no poder.


Acho que as pessoas, sabendo que geralmente essas coisas não dão em nada, estão mais preocupadas em viver o dia-a-dia e trabalhar para pagar as contas.


Também é preciso consertar a antena da TV, levar o filho ao médico e não perder a viagem marcada.


Vida que segue.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

"Menos cinco, ótimo"...



“Menos cinco, ótimo.”

Foi o que escreveu um leitor, ao saber, pelo jornal, que a polícia havia matado cinco bandidos que cruzaram com uma viatura em Inhaúma, no Rio, e não obedeceram à ordem de parar, atirando nos policiais.

Infelizmente chegamos a esse ponto. Resolve-se tudo atirando e matando. É guerra, e na guerra é preciso eliminar o maior número possível de inimigos. Se os policiais não revidassem, é quase certo que seriam mortos.

E se o dono do carro abordado (com certeza, roubado) estivesse entre os bandidos, sequestrado e imobilizado? Seria bandido também. Morreria como um bandido, sem chance de dizer que sua culpa foi estar no lugar errado na hora errada.

Seria contado como mais uma baixa entre os civis.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Os 15 Minutos de Terry Jones





Felizmente o pastor Terry Jones voltou atrás. Teve os seus 15 minutos de fama, e fama mundial - não foi pouca coisa não.


Os civis ocidentais que vivem nos países muçulmanos, os soldados que estão no Iraque e no Afeganistão e o mundo em geral, todos nós estamos respirando mais aliviados nesta noite de 9 de setembro.


Os missionários cristãos devem estar de mãos erguidas para o céu, agradecendo.


Até o próximo susto. Até o próximo intolerante religioso.


Que ele também volte atrás e se contente com 15 minutos de fama.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O Cristianismo de Terry Jones


O mínimo que se espera de um cristão é que ele seja um agente da paz. Um seguidor de Cristo deve ter sempre como objetivo viver em harmonia com todos, mesmo aqueles que pensam diferente dele. Jesus ensinou que devemos fazer o bem, mesmo para aqueles que nos maltratam.

Infelizmente, o pastor batista Terry Jones, da Flórida, resolveu ignorar os ensinamentos do Cristo que ele diz seguir, quando anunciou uma campanha para queimar exemplares do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos, no próximo sábado. Foi a estúpida maneira que ele encontrou de celebrar os nove anos dos terríveis atentados de 11 de setembro. 

Talvez Terry Jones nunca tenha saído de seu confortável gabinete, na Flórida, para um campo missionário na Ásia ou na África, onde muitas igrejas cristãs — católicas e protestantes — são incendiadas e muitos missionários são mortos pelas mãos de alguns radicais muçulmanos. Talvez Terry Jones não tenha a capacidade amar esses seus irmãos que estão longe. Talvez ele não tenha a capacidade de sentir o medo que esses missionários devem estar sentindo agora, como possíveis alvos da reação dos radicais islâmicos à atitude de um radical norte-americano que se diz cristão.

Que Deus tenha misericórdia desses missionários, dos muçulmanos e também do pastor da Flórida.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Um Simples Cartão de Natal (fora de época)



Sabe aqueles desenhos que toda criança que começa a mexer em computador faz no Paint? Resolvi fazer um para postar no YouTube, em dezembro de 2009.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Rio Visto de Cima


Essas visões de pousos e decolagens são maravilhosas. Principalmente quando se chega ou parte do Rio, cuja beleza vista de cima também não deixa de ser exuberante. Clique no vídeo e boa viagem.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Por que o Arroz Integral é Mais Caro?



Os médicos e nutricionistas dizem que devemos comer arroz integral, em vez do arroz branco, já que o seu índice glicêmico é bem mais baixo, prevenindo, assim, doenças crônicas como o diabetes tipo 2.


O problema é que o arroz integral é bem mais caro, mas, por quê?


O arroz branco tradicional, que quase todos nós comemos diariamente, passa por um processo de beneficiamento, no qual são removidos o gérmen de arroz, a casca e a película, ou seja, sua porção mais externa, onde se concentram os nutrientes. Por outro lado, o arroz integral conserva todos esses elementos, sendo, assim, benéfico à saúde.


Voltando à pergunta, e com base nas informações acima, por que o arroz integral é bem mais caro, se ele não passa por esse processo de beneficiamento? Por que o governo não cria um programa de incentivo à sua produção e consumo? Em médio ou longo prazo, isto contribuiria para a diminuição da incidência de doenças crônicas como o diabetes tipo 2, reduzindo assim os gastos com saúde.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Fracasso ou uma Nova Era?


Como leitor, vivi um pouco dos anos finais de glória do JB. Comprava-o quase todos os dias, bem de manhã. Além de informar com qualidade, o JB proporcionava uma aula de bom jornalismo aos seus leitores. Por sinal, grande parte dos meus professores de faculdade trabalhava lá, e também na rádio do mesmo grupo.

Atolada em dívidas, a publicação centenária deixou de circular, permanecendo apenas online.

Uma pena, mas nos últimos tempos não era nem a sombra daquele jornal de décadas passadas.

Falam em um novo desafio com a edição online, mas o que fica mesmo é o fracasso de uma publicação que muito representou para toda uma geração.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

sábado, 28 de agosto de 2010

Rotina







Muita gente gosta de dormir até mais tarde. Essas pessoas não sabem o que estão perdendo, principalmente quando Deus nos presenteia com manhãs como essas de agosto, no Rio de Janeiro. Estava indo para o trabalho, mas não pude deixar de usar a câmera do celular para registrar tamanha beleza.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Quem Vai Pagar a Conta?



Será que o futuro trará soluções para o mal que estamos fazendo hoje ao planeta? Há uma corrente de pensamento que acha que nossos filhos e netos vão “dar o jeito deles”, encontrando maneiras de sobreviver em meio ao caos ambiental herdado de seus ascendentes irresponsáveis.

Essa tese se baseia no avanço tecnológico fortemente direcionado para o desenvolvimento de soluções que tragam cada vez mais bem-estar ao homem. O problema é que muitas vezes os efeitos colaterais dessas novas tecnologias são extremamente nocivos, comprometendo o futuro que elas se propõem a oferecer.

Nossos “brinquedinhos eletrônicos” duram seis meses, no máximo um ano, e são descartados. Geralmente são enterrados na lixeira mais próxima, sem choro nem vela e sem nenhuma proteção. Isto quando não são “desovados” em plena rua, numa indigência de dar dó. Só agora se começou a pensar em programas de descarte de lixo eletrônico, com a obrigatoriedade de devolução daquilo que não se usa mais ao fabricante, para reciclagem.

Reciclar é a saída. Aqui no Brasil reciclamos alguma coisa (pouca ainda), por conta da necessidade dos catadores, que viram na atividade uma fonte de renda. Mais do que pelo aspecto financeiro, o reaproveitamento deve ser uma filosofia de vida. Essa atitude de não preservar agora para ver o que acontece depois vai se transformar em uma conta muito alta, que será paga pelos nossos filhos e netos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Anticampanha






Não vote em Armando Falcatrua
Se ele ganhar, a culpa é sua
Lugar de corrupto é no olho da rua
Não viva no mundo da lua. 

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Velhos tempos diante da TV



Postei este vídeo no YouTube há alguns anos, como mensagem de final de ano. Não esperava que algumas imagens de tempos de infância diante da TV fossem emocionar tanta gente. Talvez, tenho quase certeza, não tenham sido as imagens, mas os bons tempos que elas testemunharam, que não voltam mais. 

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Nova Reforma?



Há alguns dias, a revista Época trouxe como matéria de capa uma reportagem intitulada A Nova Reforma Protestante. Segundo a visão do articulista, seria um movimento inspirado no cristianismo primitivo, através do qual um grupo de evangélicos estaria tentando recriar o Protestantismo, indo de encontro ao movimento neopentecostal, predominante por aqui.

Todos nós conhecemos a história da Reforma do século XVI e os fatos que a desencadearam, quando alguns homens corajosos arriscaram a própria vida ao se voltarem contra os absurdos praticados pelo clero, em nome de Deus. O filme Lutero recria muito bem a situação caótica da igreja naquela época. Vemos hoje a mesma história se repetindo, com nova roupagem: a teologia da prosperidade prometendo o paraíso aqui, a variedade de unções, os rituais animistas, a idolatria das terras bíblicas e outras bizarrices. Diante do atual estado de coisas, devemos admitir que algo deve ser feito. Mas, o que fazer?

Lutero tentou reformar a igreja. Não conseguiu. Penso que os novos luteros de hoje, as pessoas que preservam o genuíno evangelho também não conseguirão reformar esta igreja que está aí na mídia. Digo isto porque tenho certeza de que esta igreja que vende curas físicas e prosperidade financeira não é a Igreja de Cristo, não é a Igreja do Reino, mas uma instituição que pertence ao apóstolo tal, ao bispo tal ou ao patriarca tal. Uma empresa religiosa, e, como tal, comprometida com o bom desempenho e com o lucro. Esta igreja já tem seu destino traçado. Sua recompensa está aqui mesmo na terra.

A Igreja do Reino é invisível, mas a maioria de seus membros vive em instituições religiosas. E é bom que seja assim. É bom que irmãos com o mesmo objetivo vivam congregados. Há comunhão, troca de experiências, adoração comunitária, consolo mútuo e parceria na difusão do evangelho. Deus chama súditos para o seu Reino e os coloca em várias formas de instituições religiosas (que chamamos de igrejas), com vários tipos de governo, alguns até diferentes daquilo que estamos acostumados a ver. Jesus disse que se duas ou três pessoas se reunissem em seu nome (não importa como) ali ele estaria, ali estaria uma parte da igreja que ele fundou, a Igreja do Reino. Uma Igreja do Reino não representa um fim em si mesma, mas se reúne em nome de Jesus.

Há um equívoco na matéria da Época quando fala em recriação do Protestantismo. Na verdade, vemos alguns cristãos que não aderiram a esse falso evangelho — seres humanos normais, com suas imperfeições e contradições — levantando uma bandeira comum contra o caos religioso no qual está mergulhado o nosso país. Mas o verdadeiro evangelho nunca saiu de cena. Este Evangelho do Reino — que já morou nas catacumbas de Roma e sobrevive a duras penas no seio da igreja perseguida nos países muçulmanos e comunistas — vive e sempre viverá em algumas igrejas bem organizadas, históricas ou pentecostais, em algumas comunidades e também entre grupos de estudos bíblicos como o daquele cirurgião geral que abre a polêmica matéria da revista Época.

sábado, 21 de agosto de 2010

Guerra






Hoje vimos uma corrida diferente na zona sul do Rio. Uma pessoa morta, algumas feridas e muita gente assustada. Bandidos correndo e se concentrando em um hotel.

Amanhã muita gente saudável e alegre vai correr a partir dali, do campo de guerra de hoje, para conquistar a meia maratona. Amanhã vai ser outro dia.

Não vão correr das balas perdidas, assim todos esperam.





Existem lugares cuja lembrança é mais do que uma constatação de que existem momentos felizes. A Ilha Grande foi o cenário de um deles. Esta foto escaneada é de 1999, século passado.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010




A imagem sugere uma cena apocalíptica. Mas é apenas a Pedra da Gávea sob uma grande nuvem, vista da janela de minha sala, no trabalho (imagem captada com telefone celular).

Amigos e Amigos



Não há quem não tenha pelo menos um amigo. Por mais chata que seja, uma pessoa sempre vai encontrar alguém que a ame, e de graça. Como dizem, sempre existe um chinelo velho para um pé doente calçar. Mesmo a alma mais perversa deste mundo terá por perto algum otimista acreditando que ela possa ser um indivíduo um pouquinho melhor. Não me refiro exatamente aos aproveitadores, que estão atrás de alguma coisa interessante que o “amigo” possa oferecer, como dinheiro ou poder. Estes, como sabemos, somem na primeira curva malfeita, ao primeiro sinal de que aquilo que realmente buscam na pessoa “amada” não se encontra mais disponível.

Nossos amigos verdadeiros nos são muito caros. Na medida do possível, sempre procuramos estar junto deles, e vice-versa, para um bom papo — mesmo que seja virtual — ou até para discutir ou brigar um pouco, quando a amizade é madura o suficiente para subsistir acima das discordâncias. Esses são aqueles amigos da “canção que na América ouvi”, parceiros em todos os momentos. Enfim, “coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito”, como canta o Milton.

Voltando àqueles amigos com aspas, um fato curioso é que alguns deles cultivam um tipo de amizade muito estranha, que se manifesta apenas de quatro em quatro anos. Em épocas como estas eles chegam efusivos, alegres, mas sem muitas novidades. Estavam tão longe, em lugares tão diferentes, mas quase sempre voltam sem nada de novo para nos contar. Mas a culpa também é nossa. Não procuramos saber o que eles fizeram no longo tempo de recolhimento que se passou. Ficamos receosos, com medo de incomodar. Eles, percebendo o incômodo, se adiantam e se justificam dizendo que estavam muito ocupados, sem tempo de bater um papo, de dar um alô ou de mandar um e-mail. Assim, nunca sabemos o que eles fizeram durante o longo período de ausência. Por outro lado, eles também não procuram saber o que pensamos em todo esse tempo e o quanto necessitamos deles.

E assim a vida vai passando, como as águas de um rio de janeiro, e chega o momento da festa. Depois, é hora de o amigo limpar a sala, dividir o que restou do bolo e avisar que “já está chegando a hora de ir”. Mas fica a promessa: “Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar” — exatamente daqui a quatro anos.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Comida Lixo





Fast-food certamente não é saudável... mas é bom. Pelo menos muita gente gosta, ou ninguém mais abriria uma franquia do McDonald's. Se você tem pressa, nada mais rápido que um “trocinho-feliz” com refrigerante e batata frita. É fast. Não sei bem se é food.


A maioria das denominações neopentecostais descobriu um negócio da China (ou dos Estados Unidos). Comida rápida e cara para clientes pouco exigentes, mas apressados. O céu... que coisa distante... Eu tenho que esperar morrer para ir para lá? Ah não! Eu quero o céu agora!... “Nós temos!” Foi a resposta do neopentecostalismo à insaciável carnalidade humana. Como toda comida de fast-food, a palavra pregada nos púlpitos dessa teologia barata e demoníaca também é preparada a toque de caixa, os cozinheiros são inexperientes e a higiene é suspeita. Tudo já é pré-cortado, pré-embalado, pré-cozido, pré-mastigado, regurgitado e cuspido. A mesma comida precisa alimentar crianças e adultos.

Do outro lado do balcão não está um público qualquer. Esse cliente não deseja saborear um prato, deseja tão somente devorar qualquer coisa que lhe dê alguma satisfação... quando ela acabar, basta voltar ao balcão. Esse fast-food espiritual (ou espírita) também utiliza as mesmas técnicas de marketing das grandes redes de junk food. Todo dia tem uma McOferta. Um dia é o relacionamento, outro dia é o emprego, outro dia é a doença, outro dia é o encosto... basta você chegar no balcão e pedir pelo número.

Obviamente tudo isso tem um custo. Diga-se de passagem, alto. Servir em tempo recorde e ainda convencer o cliente a voltar, mesmo depois de servir aquele lixo, exige muito investimento e, portanto, cobra-se caro por este serviço. Ali dá-se a vida, antes fosse só o dinheiro. Certamente o que mais causa repugnância nessa cozinha do satã é a manipulação do ser humano. No entanto, estes seres nada mais fazem que responder a sua própria natureza. Homens se alimentando dessa comida nada mais é que a ira de Deus sendo derramada sobre eles.

Não tenho compaixão dos que se perdem porque esvaziam suas carteiras esperando que elas magicamente sejam novamente reabastecidas, mas porque caminham para o inferno. Essa comida é cara e insuficiente, mas atende o desejo do homem. Então é vendável.

Autor desconhecido

Ontem e Hoje



“Beijei aquela árvore tão linda, onde eu, com o meu canivete um coração eu desenhei.” São versos de uma musiquinha meio brega, cantada pelo Ronnie Von, acho que na década de 60 ou 70, que hoje faz parte da galeria de clássicos da MPB — talvez mais pelo fato de ser antiga do que pela qualidade artística. Outro dia, em uma rádio que toca boas coisas do passado, ela estava lá, em meio a cartolas e violas enluaradas. E esses versinhos despertaram a minha atenção. Como o cara teve coragem de desenhar um coração em uma árvore tão linda? E depois, como se não tivesse feito nada, ainda a beijou.

Esse mundo é mesmo uma bola que gira, além das árvores que caem e das pedras que rolam. Coisas no mínimo politicamente incorretas nos dias de hoje, há 40 ou 50 anos eram absolutamente naturais. Atores e atrizes de Hollywood fumavam seus cigarros sem pudor nas telas grandes dos cinemas. As atrizes, em particular, pareciam mais charmosas em meio à fumaça branca, a mesma hoje proscrita nos mais variados recintos, como causadora de doenças graves.

Derrubar árvores sem controle hoje é crime ambiental. E é bom que seja assim. Mas desenhar corações nas pobrezinhas com um canivete fica parecendo tortura.

Como as coisas mudam. Naquele tempo era tão natural...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Vender ou Doar?




Um dos efeitos colaterais da profusão tecnológica na qual estamos inseridos neste início de século é o acúmulo cada vez maior do chamado lixo eletrônico. A maioria de nós tem em casa — ocupando os espaços cada vez mais exíguos dos minúsculos apartamentos vendidos hoje em dia — celulares fora de uso, aparelhos de som com pequenos defeitos, mas ainda funcionando, e inúmeros acessórios de informática, que de seis em seis meses ficam obsoletos. Os japoneses, os sul-coreanos e outros povos, digamos assim, mais civilizados contam com programas de reciclagem que possibilitam o descarte daquilo que já não atende aos seus anseios de consumo. Por aqui, começamos a trilhar esse caminho, mas, como a questão tem implicações culturais, vai levar algum tempo até que cheguemos ao nível dos países mais desenvolvidos.

Vender ou dar? Algumas vezes esse dilema vem à tona. Aquele PC comprado há três anos, que para alguns custou uma grana preta, agora não vale nada em termos financeiros. Está completamente obsoleto, anos-luz atrás dos notebooks da geração mais recente (esperamos que não seja a última). Mas o valor de uso é sempre maior do que o valor monetário, sem falar na questão afetiva. E o que dizer das velhas máquinas de escrever? Não servem para nada quando não estão expostas em museus, visitados por crianças curiosas em saber como funcionava aquele objeto estranho. Mas para um velho escritor, já na casa dos 80, aquela Remington com o teclado gasto com as marcas dos seus dedos tem um valor afetivo incomensurável. Ele não a vende por dinheiro algum.



E o que os computadores e a velha Remington têm a ver com o voto? Nada e tudo. O voto é um velho instrumento da democracia. Nivela todos os cidadãos, ricos e pobres, das comunidades e do asfalto, do campo e das cidades. Todos têm o mesmo peso, o mesmo valor diante da urna eletrônica. Por isso ele é muito valioso, é muito caro para ser trocado por um maço de notas de real ou por um emprego. Seu valor de uso sempre será maior do que qualquer dinheiro ou outra vantagem pessoal.

Não venda seu voto. Parece um paradoxo, mas ele é muito valioso para ser vendido.



quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Fome de Notícia


Neste mundo globalizado e repleto de tecnologias de ponta a serviço da comunicação, não há viva alma que não se alimente de notícias todas as manhãs, juntamente com o café da manhã. Leite com crimes, pão com previsão do tempo, manteiga com mentiras de políticos, e por aí vai. Até mesmo antes de os raios de sol iluminarem a cidade, já estamos famintos e sedentos por informação. Conectamos o PC, ligamos o radinho de pilha ou damos uma olhadela no jornal que ainda está sendo encartado na banca, por um jornaleiro apressado.

Quase sempre o mesmo de sempre. Crimes, roubos (com e sem colarinho branco), promessas, futilidades, bizarrices e sandices. A previsão do tempo determina o que vamos vestir. O helicóptero da rádio indica o caminho que vamos seguir (quem anda de ônibus não tem muita alternativa). O horóscopo (ainda tem gente que acredita) determina o que alguns vão fazer.

Agora o jornal está sobre a mesa, ao lado da xícara de café e das bolachas. A notícia da vez, o grande escândalo, o crime bárbaro são os ingredientes que mais se destacam em nosso desjejum de informações. Que coisa! Os acusados do crime ainda sem corpo estão presos, e os acusados do crime cujo corpo já foi encontrado estão soltos. Pode? Pode. Curiosidades de nossa justiça. Após a rápida observação, surgem no canto esquerdo — mais ou menos no lugar de algum crime ou escândalo que não aconteceu — algumas fotos da bela tarde do dia anterior. A beleza do sol se pondo sobre a cidade chama a atenção. Mas vem a noite, e o parque gráfico do jornal já se apronta para rodar a edição do dia seguinte, recheada de mais crimes e escândalos.

É a fila andando.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Bem-vindo à Classe Média




Milhares de pessoas conseguiram romper a linha de pobreza e entraram no paraíso. Enfim, a classe média. O governo alardeia o grande feito aos quatro cantos. Esses ex-miseráveis já comem carne todos os dias há alguns anos. Não necessariamente carne de primeira em todas as refeições, mas carne é sempre carne — frango é coisa de um passado distante. Há muito tempo o iogurte virou figurinha fácil nas geladeiras das “comunidades”, cujas casas de tijolos aparentes por fora estão bem pintadas por dentro e recheadas de tevês de LCD, DVDs piratas e outros acessórios de última geração, sem falar nos não raros miaus da “netgato”. A novidade é o computador comprado a prestação nas Casas Bahia e a internet banda larga, compartilhada com os vizinhos.


Pois bem. O garoto, meio abusado, fruto dessa nova classe média, encara o presidente e o governador sem medo de ser feliz. Quer jogar tênis. O presidente diz que tênis é um esporte de burgueses e sugere que ele faça natação. “Mas a piscina fica fechada nos fins de semana”, retruca o garoto abusado, que também se incomoda com o barulho que o “caveirão” faz ao passar em sua porta. Também por isso ele estava ali, incomodando o presidente e o governador, que perdeu a paciência e o chamou de otário e mandou que ele fosse estudar. O moleque estava enchendo o saco. Logo do presidente e do governador. Pode?


Bem-vindo à classe média. O moleque chato que estava enchendo o saco do presidente e do governador estava consciente de que tinha mudado de status social, mas não foi bem recebido pelos seus novos companheiros. Queria jogar tênis, mas este é um esporte “de burgês”. Imagine se ele quisesse jogar golfe. Restaram-lhe os 15 minutos de fama do You Tube ou, quem sabe, uma entrevista para o Fantástico.

Time e Castigo






Dizem os jornais que os jogadores da seleção da Coreia do Norte foram severamente punidos por conta do pífio desempenho na copa da África do Sul. Segundo informações não confirmadas, passadas por sites asiáticos, a delegação que participou do Mundial, com exceção de dois jogadores que atuam fora do país, foi obrigada a ficar de pé durante seis horas, ouvindo duras críticas das autoridades locais. Dizem que o pobre do técnico, além de perder o emprego, foi obrigado a mudar de atividade: agora trabalha como operário na construção civil. Até onde e se isso é verdade ninguém sabe, já que é difícil obter alguma informação sobre o que se passa naquele país, que mais parece um presídio de segurança máxima. A FIFA está investigando o caso que, se confirmado, talvez seja motivo de alguma punição.


Fico a pensar como deve ser a vida em um país-prisão como a Coreia do Norte. Monótona, chata, ou alegre e esperançosa, em busca do “ideal socialista”? Aquela senhora de terninho amarelo que lê friamente os comunicados oficiais do governo, emoldurada por uma fotografia, não nos dá nenhuma pista. Muito menos os “soldadinhos de chumbo”, que se exibem garbosamente em suas marchas de incrível sincronismo. Bem menos ainda o ditador impassível, em suas raras aparições diante de platéias assepticamente domesticadas. Quando a TV mostrar (quando?) homens e mulheres do povo em seu cotidiano, fora das cerimônias oficiais, andando na rua, pegando ônibus e discutindo futebol, aí sim, teremos alguma pista de como deve ser a vida na parte norte daquela península.


Resta torcer para que a punição, se realmente aconteceu, tenha se restringido às seis horas ouvindo duras críticas, o que já é um absurdo. Imaginem o técnico, em vez de gritar com os jogadores, tendo agora que berrar pedindo mais massa ou que mandem mais tijolos. Em todo caso, talvez não tenha sido tão ruim assim, se pensarmos no volume de reclamações que o nosso técnico e os nossos jogadores da era pré-mano ouviram, dentre outros motivos, pela magra vitória sobre os norte-coreanos — sem falar no gol que levamos daquela fraca seleção.